Categoria: Argentina

SALTA COM CRIANÇA: COMO IR E O QUE FAZER

Salta (La Linda) foi um dos nossos destinos do primeiro mochilão que fizemos com o Cauê. Ele tinha 11 meses quando pegamos um vôo e percorremos durante o mês de janeiro as cidades de Córdoba, Mendoza, La Rioja, Salta e a região da Quebrada do Humauaca.

COMO IR

Se você pensa em curtir apenas essa região, a cidade de Salta tem o Aeropuerto Internacional Martín Miguel de Guimes fica à cerca de 10km do centro. Os vôos não são diretos, mas é possível chegar fazendo conexão em Buenos Aires.

Veja esse site de pesquisa de passagens aéreas.

Como Salta era apenas um de nossos destinos, e tínhamos tempo, fizemos todos os trajetos de Córdoba até Salta de ônibus, priorizando as viagens noturnas. Assim podíamos economizar com passagens e hospedagens.

Desde a rodoviária é possível pegar ônibus e táxis até o seu destino. Nós priorizamos ir de táxi, que não é carro e é bem mais confortável por conta das malas.

Cauê foi dormindo com o balanço do ônibus. Eu nem tanto.

 O QUE FAZER

Passamos cerca de 5 dias na cidade, nos hospedamos Yatasto Hostal, próximo ao centro, com bom preço e com um ótimo atendimento. Cauê fez amizade com todas as funcionárias de lá, ela eram tão fofas, que paravam o que estavam fazendo para pegá-lo no colo e dar um beijo nele.

De lá fazíamos muita coisa a pé, e o que fazíamos de táxi ficava num preço justo.

PRAÇA 9 DE JULHO

Local central e turístico com restaurantes e lojas.

Aos finais de semana costuma encher de gente, com muitos vendedores ambulantes e pedintes. Alguns restaurantes colocam mesas para fora, e se você é do tipo que se incomoda com pessoas vindo à sua mesa com frequência, vale ficar do lado de dentro.

A praça fica em frente aos Arcos do Cabildo; é grande e tem um ar bem familiar. Lá tem muitas pombas e as pessoas levam pão de casa para dar às elas.  Para os despreparados, há quem venda saquinhos de milho pra entrarem na brincadeira.

MUSEO DE ARQUEOLOGIA ALTA MONTAÑA (MAAM)

Esse museu não tem nenhuma interação para as crianças, mas é muito interessante e vale super à pena conhecer.

Lá tem as múmias de crianças mais bizarramente perfeitas que eu já vi até hoje. Parecem que estão dormindo e à qualquer momento podem acordar. São elas “Los niños de Llullaillaco”, 3 crianças incas que morreram no alto da montanha Llullaillaco, à cerca de 6.739 metros de altitude, e foram descobertos em 1999.

Mas se você acha que isso pode assustar seu filho, relaxa que ele não é obrigado a ver nada. Elas ficam num local escuro, onde é necessário ascender uma luz para poder enxergá-las. Ou seja, ele pode tranquilamente passar pelo museu ser ver uma múmia de verdade.

O Museo de Arqueologia Alta Montaña fica em frente à Praça 9 de Julho, tem visita guiada de terça à domingo, e fica aberto das 10:00 às 18:30

Confira o site oficial deles: http://www.maam.gob.ar/

 

ÔNIBUS TURÍSTICO

O ônibus é pequeno e aberto e parte de frente ao Cabildo, à partir das 9:30 da manhã.

O passeio dura 2h e costuma ir bastante família com criança, quando fomos haviam 6 contanto com o Cauê.

O roteiro passa pelos seguintes pontos: Plaza Belgrano, Palacio Legislativo, Portezuelo, Paseo de Los Poetas, Estación Balcarce, Convento, Parque San Martín e Teleférico, Mercado Artesanal, Batalla de Salta, Monumento a Güemes, La Viña e Cabildo.

 

TELEFÉRICO

O teleférico é a opção mais bacana para subir até o mirante mais alto de Salta, localizado no Cerro San Bernardo. Lá em cima tem um espaço grande com lojas, lanchonetes e jardins e até um parquinho ao ar livre pras crianças.

Mais informações você encontra aqui: https://www.saltaticket.gob.ar/es/landing.html?id=6

Também é possível subir até o mirante a pé ou de carro. Mas vamos combinar que a opção do teleférico é a mais divertida!

MERCADO ARTESANAL

Esse mercado fica longe do centro, e tem lojas com valores não tanto acessíveis. Vale à pena conhecer por ser bem organizado e ter uns trabalhos diferentes que são difíceis de encontrar nas lojas de rua. Entretanto vale fica atento com as mãoszinhas nervosas dos pequenos, porque qualquer dano pode sair caro.

 

PARQUE SAN MARTÍN

Próximo ao teleférico, o parque tem um lago com pedalinhos e, aos domingos acontece a maior feira de artesanato de Salta, com barracas oferecendo comidas típicas e muito produto andino.

 

TREN A LAS NUBES

O trem parte de Salta às 7h e vai até Santo Antônio de Los Cobres, chegando às 20h.

É o terceiro trem mais alto do mundo, chegando à 4.220m sobre o nível do mar.

Ele sobe toda a região de Puna por entre as montanhas desérticas, e como seu trajeto de ida e volta dura 13 horas, optamos por não ir com o Cauê.

 

MOCHILÃO GRÁVIDA PELA AMÉRICA DO SUL

Vira e mexe falo sobre o mochilão que fiz grávida pela América do Sul, mas contar sobre ele demanda um certo tempo, afinal foram 6 meses de viagem. Logo no primeiro mês, engravidei do Cauê, e, mochilar grávida foi definitivamente uma das melhores aventuras da minha vida!

Quer saber como foi? Então senta que lá vem história! Compartilho aqui com vocês a entrevista que a Paula Calil fez comigo e já virou matéria em seu blog Viagem de Família e no portal terra:

 

O que você faria se descobrisse que está grávida no início de um mochilão?

Pois é, a Dani e o Marcelo se programaram desbravar a América do Sul. Escolheram o roteiro, se programaram financeiramente…e eis que no primeiro mês de viagem a Dani se descobriu gravidíssima!

Tomada por um misto de felicidade e frio na barriga decidiu seguir em frente, fez algumas adaptações no roteiro e encarou a aventura com muito cuidado e alto astral…e viveu uma história linda, descobrindo as belezas da América do Sul e da gestação ao mesmo tempo.

Dani, qual o roteiro deste mochilão?

Percorremos 54 cidades, começando por Foz do Iguaçu. Lá em Foz, demos um pulo em Ciudad del Leste, no Paraguai, para fazer umas comprinhas, e seguimos percorrendo a Argentina (onde engravidei), o Chile (onde descobri a gravidez), parte da Bolívia e o Peru (onde descobri o sexo do meu bebê). Foram 06 meses de viagem – de abril a outubro de 2016.

Durante a viagem, que tipo de cuidados você tomava? Alimentação, vitaminas?

A viagem me deixou mais ativa e saudável, com os passeios constantes e com as mais diversas refeições. Como gosto de provar tudo quanto é comida típica, o Cauêzinho estava recebendo um monte de ingredientes bons junto comigo.

Apesar de estar longe do Brasil, eu tive uma boa base médica. A madrinha do meu filho, que é médica, me orientava com relação aos prazos de consultas e exames que eu tinha que fazer.

Assim, nas datas certas eu procurava um obstetra particular, que me prescrevia o que eu tinha que tomar e os exames que eu tinha que fazer. Com isso, não me faltou ferro, ácido fólico, e nem vitaminas durante toda a gestação.

E foi uma gestação tranquila?

Super! No dia seguinte que descobrimos a gravidez, já estávamos num passeio a caminho do vulcão Osorno, numa estrada super sinuosa. Nesse passeio, estávamos de carona com o Marcelo, nosso couchsurfer, e duas meninas que moravam com ele. Uma delas passou mal com as curvas da viagem, e eu lá, grávida, tranquilinha no carro.

Mas como em todas as gestações, os enjoos são normais, e eles se intensificaram quando eu estava com 2 a 3 meses de gravidez. Ainda assim, eles foram amigos comigo e costumavam vir mais à noite… então, quando eu estava mais enjoada, simplesmente ficava mais quietinha na hospedagem e contava com o chamego do maridão pra me trazer algo para comer quando passasse o mal-estar.

Em algum momento, durante a viagem, sentiu que a gravidez “atrapalhou”, ou seja, deixou de fazer alguma coisa que queria por conta da gestação?

Sim…mas não por falta de tentar!

Fui impedida de entrar em águas termais, em Chillán, no Chile, e, em Águas Calientes, no Peru. O calor das águas, unido com as suas propriedades podem causar aborto. Como não queria perder meu bebê, obedeci. E coloquei os pés para matar a vontade, e fazer valer o ingresso pago para entrar.

Outro impedimento aconteceu no Deserto do Atacama, no Chile, quando já estávamos com a documentação e o dinheiro prontos, na frente de uma agente de viagens, prontos para seguir rumo a uma expedição ao Salar do Uyuni, na Bolívia. Ela, que já tinha nos aceitado na trip, nos avisou que nenhuma agência estava querendo aceitar de levar uma grávida, porque existem muitas falhas na estrada e os motoristas não são cuidadosos, eles correm bastante, e o impacto pode ser grande. Essa é uma lacuna do mochilão que pretendemos cobrir quando o Cauê for maiorzinho.

E como foi para a família de vocês acompanhar a barriga crescendo de longe?

Na verdade, a minha barriga demorou a aparecer. E como eles puderam acompanhar o terceiro trimestre da gravidez, puderam acompanhar de perto o crescimento da barriga.

Mas é claro que pela nossa família, eles queriam que eu voltasse imediatamente após descobrir a gravidez. Me achavam uma desajuizada – até verem que mesmo nas nossas aventuras, estávamos cuidando do nosso pequeno com as consultas e exames frequentes. E, como à princípio não tínhamos prazo pra voltar. Nossos pais e duas tias foram passar uma semana em Cusco e região com a gente. O que foi ótimo para matarmos as saudades e curtir uma grande aventura em família!

Conseguiu fazer os exames de pré-natal durante a viagem? Como foi isso?

Sim, fizemos todas as consultas e exames necessários.

Minha primeira consulta com uma obstetra foi em Talca, no Chile, que me passou os suplementos e logo marcou um ultrassom para verificar o tempo de gestação, e a quantidade de embriões. Foi quando ouvimos pela primeira vez o coraçãozinho do Cauê batendo superforte. Como não morrer de amores nessa hora, né?

Em Santiago, capital do Chile, fiz alguns exames de sangue e em Cusco, quando estava com 24 semanas de gestação, fiz uma nova consulta, na qual o médico palpitou que seria uma menina… e um novo ultrassom, que, desta vez, estava a família toda pra assistir e descobrir, de fato, qual era o sexo do bebê. Mas não foi dessa vez, o médico não conseguiu e, na verdade, nem fez muita questão de ver. Ok, seguimos com os palpites.

Depois de termos ido até próximo da fronteira do Peru com o Equador, pegamos um ônibus de 17h até Lima para que pudéssemos voltar para o Brasil no dia seguinte. Então, logo que saímos da rodoviária, ainda cheios de mala e eu já com 29 semanas de gestação, fomos até um consultório para fazer um ultrassom e tentar descobrir o sexo…sim, eu estava inconformada de voltar sem essa novidade. Então, nós pagamos por um ultrassom comum e demos muuuita sorte de encontrar com um médico super gente fina! O cara falou que provavelmente não iríamos conseguir ver o sexo com aquele aparelho, e que o ideal seria que fizéssemos um ultrassom 4D para descobrir. Mas a questão era que já estávamos quase sem grana e não tinha o aparelho para isso naquela clínica. Então o médico, que foi a muito com a nossa cara, colocou as nossas malas no porta-malas do seu carro e fomos de carona com ele até uma clínica que tinha o aparelho certo. Isso, sem pagar nada a mais.

Chegando lá, ele logo nos atendeu, mas o Cauê estava tímido e não pudemos ver o que era. Então ele nos deu uma segunda chance, me mandou comer um doce e esperar. Quando voltei para a sala, pudemos ver que era um menino, e o médico insistiu para que colocássemos o nome de Marcelo Jr. ou de Neymar! Hahahaha!!!

Faria tudo de novo?

Absolutamente sim! Amei reviver essa aventura com vocês!

Dani, ADOREI sua história!!! Menina, que coragem seguir com os planos da viagem mesmo grávida…afinal, um mochilão sempre tem horas de estrada para encarar e peso na mochila para carregar!

Não é à toa que o Cauê já nasceu um autêntico mochileirinho, encarando numa boa uma viagem pelo interior da Argentina com apenas 08 meses de idade. E essa história você pode ler neste post.

Dizem que uma viagem muda a vida da gente…no caso da Dani e do Marcelo mudou para sempre e eles voltaram com seu “pacotinho”. Ownnnn…AMEI!

E para continuar acompanhando as aventuras da Dani, é só seguir o @maedemochileirinho no instagram!