Categoria: Chile

MOCHILÃO GRÁVIDA – A DECISÃO

Olá meninas! Meu nome é Bruna, tenho 26 anos, quero contar um pouquinho de como foi a minha experiência viajando por 18 dias pelo Peru, Bolívia e Chile.

Eu e meu noivo Gean, estávamos planejando esta viagem há mais de um ano. Um mochilão por estes três países, em um roteiro que incluía Machu Picchu, Lago Titicaca, La Paz, Salar de Uyuni e Deserto do Atacama. Buscamos muita informação a respeito dos destinos, definimos o roteiro e compramos as passagens aéreas. Sabíamos que seria uma viagem com natureza exuberante, e estávamos cientes de que alguns pequenos perrengues poderiam acontecer.

Já estava tudo certo para a viagem que teria início em 01/03/2019. Foi quando em meados de janeiro tivemos uma surpresa. Tcharãããn!!!! Eu estava grávida. Foi a melhor surpresa das nossas vidas, ficamos super felizes.

Faltavam cerca de 50 dias para o mochilão, e como sou mamãe de primeira viagem, uma infinidade de questionamentos me vieram à cabeça. Naquele momento, eu só conseguia pensar naquele bebezinho que estava ali comigo, meus hormônios estavam à flor da pele e eu não tinha certeza que viajaria. Principalmente pelo fato de que passaríamos por alguns lugares um tanto quanto inóspitos e sem infraestrutura.

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Primeiramente busquei informações com a médica que me acompanha no pré-natal. Tudo ainda era muito novo pra mim. A médica nos indicou que não havia problema algum em viajar grávida, e que após a 12º semana de gestação seria o mais indicado. Entretanto, como seria uma viagem para a região da cordilheira dos Andes, somada à questão da falta de infraestrutura, o que me dava muito medo era a altitude. Passaríamos por locais de mais de 4000 m acima do nível do mar.

A partir deste ponto, comecei a buscar informações a respeito de mulheres que viajaram grávidas para roteiros semelhantes ao nosso. Vasculhei blogs, perfis do instagram, diversos fóruns na esperança de encontrar pessoas que pudessem nos dar boas informações a respeito dessa viagem, e que principalmente me encorajasse a ir. A princípio, conseguimos poucas informações. Eu tinha muitas dúvidas. Como seriam os deslocamentos? Como a altitude poderia afetar a saúde do bebe e a minha saúde?  Como era a infraestrutura em relação a banheiros disponíveis nos passeios? Sobre a alimentação e uma outra infinidade de coisas.

Arquivo Pessoal

Foi quando encontrei o perfil da Dani @maedemochileirinho que me ajudou muito. Ela descobriu a gravidez dela durante o mochilão, passou pelos mesmos países os quais eu passaria e me deu dicas importantíssimas. Conheci também a @lorenasignorelli e a @vanessapaivad que também me deram diversas dicas sobre passeios, alimentação e tudo mais. Me ajudaram muito para que eu tivesse mais segurança.

Eu já estava decidida a viajar. Porém com 10 semanas de gestação, em uma das consultas de rotina, descobri dois hematomas sub-coriônicos no útero. Foi então que a médica indicou repouso absoluto até que os hematomas desaparecessem. Faltavam 15 dias para a viagem, neste momento eu já tinha desistido, afinal, a saúde do baby sempre em primeiro lugar. Conversei com meu noivo, e pedi para que ele fosse de qualquer maneira com um casal de amigos (@ademarsantosjunior e @suzanimenegon) que nos acompanharia nessa viagem. Havia uma consulta marcada um dia antes da viagem. Nesta consulta, a médica constatou que os hematomas haviam desaparecido e que eu poderia viajar sem problemas! E foi assim mesmo, na véspera, mesmo sem saber se estava fazendo certo, arrumei minha mochila e #partiu!

Muitas pessoas tentaram desencorajar a fazer a viagem, colocaram medo mesmo. Mas o mais importante é que você se sinta bem, tenha segurança e siga as recomendações médicas.

Na mochila de ataque levei medicamentos suficientes para toda a viagem, a receita dos medicamentos e sempre andava com uma garrafinha de água. Beba muuuiita água. A hidratação é essencial para nós gestantes. Ainda mais se o destino for lugares com umidade do ar muito baixa.


Leia a segunda parte dessa história fantástica clicando aqui: MOCHILÃO GRÁVIDA – CUSCO E MACHU PICCHU

O DIA QUE EU LEVEI O CAUÊ FAZER ESQUIBUNDA NO VULCÃO OSORNO

Antes que alguém me julgue, eu peço calma. Ainda não fui tão louca de levar um bebê para deslizar na neve. Se bem que se essa oportunidade surgisse, eu até que pensaria seriamente no assunto.

Mas essa história é de quando o Cauê ainda estava na minha barriga, bem protegidinho. E pra quem quer conhecer esse atrativo turístico do sul do Chile, sozinho ou com a família, continua comigo que aqui tem algumas dicas boas pra você.

Pois bem. Esse foi o nosso primeiro passeio após a descoberta da gravidez. Estávamos muito felizes e como eu estava me sentindo bem, decidimos continuar com o roteiro do mochilão – que havíamos começado 2 meses antes e durou até eu completar 6 meses de gestação.

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Estavámos hospedados numa casa em Puerto Varas pelo Couchsurfing, onde ficamos durante uma semana. Já havíamos conhecido bastante coisa da cidade, que é pequenina e muito charmosa. Quando o final de semana chegou, o dono da casa nos ofereceu de fazermos um passeio para conhecer o Vulcão Osorno, que fica há 60 km da cidade. Não pensamos duas vezes e embarcamos nessa aventura com ele e mais duas mulheres.

O acesso ao vulcão Osorno, localizado em plena patagônia chilena, é um bocado sinuoso . Nós fomos com um grupo de 6 pessoas num carro, sendo o Maurício, dono da casa que nos acolheu, seu filho e duas mulheres colombianas que trabalhavam e moravam com ele, meu esposo e eu.

A ida foi muito tranquila, fomos parando pra ver os miradores e o solo de origem vulcânica, que é bem escuro. Todos estávamos com expectativa de subir ao topo do vulcão e brincar na neve. Já o retorno foi um pouco mais complicado, estávamos cansados, e com o carro passando entre as curvas fechadas, sem parar em nenhum ponto, uma das meninas se sentiu mal com enjoo e tivemos que abrir as janelas.

Apesar de eu estar grávida, não passei mal no trajeto, mas fiquei imaginando a galera que resolve ir de ônibus pra lá, que deve sofrer mais com as curvas da estrada. Mas na verdade, nenhum ônibus passa por ali. Então para quem quer ir até o Vulcão Osorno sem carro, pode pegar uma van desde Puerto Varas para Petrohue, que é um povoado localizado na base do vulcão Osorno. Essas vans são baratas e frequentes, e levam a galera até a base do vulcão.

Quando chegamos na base do vulcão Osorno, nos separamos da turma, pois haviam duas maneiras de subir: a pé ou de teleférico. Eles escolheram ir a pé e nós optamos pelo teleférico. E para não nos perdermos, combinamos de nos encontrarmos num café charmoso e quentinho que tem próximo à bilheteria do teleférico.

O passeio de teleférico no vulcão Osorno tem 2 trechos, você pode escolher fazer apenas 1 ou fazer os 2, pois é um trecho seguido do outro. O passeio em um trecho custa $12.000/pessoa*, e em dois trechos custa $16.000/pessoa. Crianças de 7 a 12 anos pagam metade do preço, e menores de 6 anos não pagam.

Veja mais detalhes aqui: https://www.volcanosorno.com/

Optamos por fazer os dois trechos, e chegando lá vimos umas pessoas descendo de esquibunda devidamente equipadas com roupa impermeável e com uma espécie de tapetinho improvisado, daqueles que você sobe pra escorregar. Outras brincavam em deslizadores de neves profissionais, chamados “tubbings” que são alugados por lá.

Mas eu não tinha visto isso antes de subir, e quando vi as pessoas se divertindo fiquei super tentada. Então, fiz como pude, subi um trecho do vulcão que era um pouco mais íngreme e era onde as pessoas estavam levando os seus tapetes, sentei no chão e escorreguei na neve sozinha mesmo . A adrenalina foi tanta que até o Cauê gritou dentro da barriga!

O resultado disso foi uma calça molhada e extremamente fria, que acabou secando no corpo mesmo, porque eu não tinha levado nenhuma troca de roupa. E uma gravidinha extremamente realizada em ter brincado na neve!

*valores em pesos chilenos

MOCHILÃO GRÁVIDA PELA AMÉRICA DO SUL

Vira e mexe falo sobre o mochilão que fiz grávida pela América do Sul, mas contar sobre ele demanda um certo tempo, afinal foram 6 meses de viagem. Logo no primeiro mês, engravidei do Cauê, e, mochilar grávida foi definitivamente uma das melhores aventuras da minha vida!

Quer saber como foi? Então senta que lá vem história! Compartilho aqui com vocês a entrevista que a Paula Calil fez comigo e já virou matéria em seu blog Viagem de Família e no portal terra:

 

O que você faria se descobrisse que está grávida no início de um mochilão?

Pois é, a Dani e o Marcelo se programaram desbravar a América do Sul. Escolheram o roteiro, se programaram financeiramente…e eis que no primeiro mês de viagem a Dani se descobriu gravidíssima!

Tomada por um misto de felicidade e frio na barriga decidiu seguir em frente, fez algumas adaptações no roteiro e encarou a aventura com muito cuidado e alto astral…e viveu uma história linda, descobrindo as belezas da América do Sul e da gestação ao mesmo tempo.

Dani, qual o roteiro deste mochilão?

Percorremos 54 cidades, começando por Foz do Iguaçu. Lá em Foz, demos um pulo em Ciudad del Leste, no Paraguai, para fazer umas comprinhas, e seguimos percorrendo a Argentina (onde engravidei), o Chile (onde descobri a gravidez), parte da Bolívia e o Peru (onde descobri o sexo do meu bebê). Foram 06 meses de viagem – de abril a outubro de 2016.

Durante a viagem, que tipo de cuidados você tomava? Alimentação, vitaminas?

A viagem me deixou mais ativa e saudável, com os passeios constantes e com as mais diversas refeições. Como gosto de provar tudo quanto é comida típica, o Cauêzinho estava recebendo um monte de ingredientes bons junto comigo.

Apesar de estar longe do Brasil, eu tive uma boa base médica. A madrinha do meu filho, que é médica, me orientava com relação aos prazos de consultas e exames que eu tinha que fazer.

Assim, nas datas certas eu procurava um obstetra particular, que me prescrevia o que eu tinha que tomar e os exames que eu tinha que fazer. Com isso, não me faltou ferro, ácido fólico, e nem vitaminas durante toda a gestação.

E foi uma gestação tranquila?

Super! No dia seguinte que descobrimos a gravidez, já estávamos num passeio a caminho do vulcão Osorno, numa estrada super sinuosa. Nesse passeio, estávamos de carona com o Marcelo, nosso couchsurfer, e duas meninas que moravam com ele. Uma delas passou mal com as curvas da viagem, e eu lá, grávida, tranquilinha no carro.

Mas como em todas as gestações, os enjoos são normais, e eles se intensificaram quando eu estava com 2 a 3 meses de gravidez. Ainda assim, eles foram amigos comigo e costumavam vir mais à noite… então, quando eu estava mais enjoada, simplesmente ficava mais quietinha na hospedagem e contava com o chamego do maridão pra me trazer algo para comer quando passasse o mal-estar.

Em algum momento, durante a viagem, sentiu que a gravidez “atrapalhou”, ou seja, deixou de fazer alguma coisa que queria por conta da gestação?

Sim…mas não por falta de tentar!

Fui impedida de entrar em águas termais, em Chillán, no Chile, e, em Águas Calientes, no Peru. O calor das águas, unido com as suas propriedades podem causar aborto. Como não queria perder meu bebê, obedeci. E coloquei os pés para matar a vontade, e fazer valer o ingresso pago para entrar.

Outro impedimento aconteceu no Deserto do Atacama, no Chile, quando já estávamos com a documentação e o dinheiro prontos, na frente de uma agente de viagens, prontos para seguir rumo a uma expedição ao Salar do Uyuni, na Bolívia. Ela, que já tinha nos aceitado na trip, nos avisou que nenhuma agência estava querendo aceitar de levar uma grávida, porque existem muitas falhas na estrada e os motoristas não são cuidadosos, eles correm bastante, e o impacto pode ser grande. Essa é uma lacuna do mochilão que pretendemos cobrir quando o Cauê for maiorzinho.

E como foi para a família de vocês acompanhar a barriga crescendo de longe?

Na verdade, a minha barriga demorou a aparecer. E como eles puderam acompanhar o terceiro trimestre da gravidez, puderam acompanhar de perto o crescimento da barriga.

Mas é claro que pela nossa família, eles queriam que eu voltasse imediatamente após descobrir a gravidez. Me achavam uma desajuizada – até verem que mesmo nas nossas aventuras, estávamos cuidando do nosso pequeno com as consultas e exames frequentes. E, como à princípio não tínhamos prazo pra voltar. Nossos pais e duas tias foram passar uma semana em Cusco e região com a gente. O que foi ótimo para matarmos as saudades e curtir uma grande aventura em família!

Conseguiu fazer os exames de pré-natal durante a viagem? Como foi isso?

Sim, fizemos todas as consultas e exames necessários.

Minha primeira consulta com uma obstetra foi em Talca, no Chile, que me passou os suplementos e logo marcou um ultrassom para verificar o tempo de gestação, e a quantidade de embriões. Foi quando ouvimos pela primeira vez o coraçãozinho do Cauê batendo superforte. Como não morrer de amores nessa hora, né?

Em Santiago, capital do Chile, fiz alguns exames de sangue e em Cusco, quando estava com 24 semanas de gestação, fiz uma nova consulta, na qual o médico palpitou que seria uma menina… e um novo ultrassom, que, desta vez, estava a família toda pra assistir e descobrir, de fato, qual era o sexo do bebê. Mas não foi dessa vez, o médico não conseguiu e, na verdade, nem fez muita questão de ver. Ok, seguimos com os palpites.

Depois de termos ido até próximo da fronteira do Peru com o Equador, pegamos um ônibus de 17h até Lima para que pudéssemos voltar para o Brasil no dia seguinte. Então, logo que saímos da rodoviária, ainda cheios de mala e eu já com 29 semanas de gestação, fomos até um consultório para fazer um ultrassom e tentar descobrir o sexo…sim, eu estava inconformada de voltar sem essa novidade. Então, nós pagamos por um ultrassom comum e demos muuuita sorte de encontrar com um médico super gente fina! O cara falou que provavelmente não iríamos conseguir ver o sexo com aquele aparelho, e que o ideal seria que fizéssemos um ultrassom 4D para descobrir. Mas a questão era que já estávamos quase sem grana e não tinha o aparelho para isso naquela clínica. Então o médico, que foi a muito com a nossa cara, colocou as nossas malas no porta-malas do seu carro e fomos de carona com ele até uma clínica que tinha o aparelho certo. Isso, sem pagar nada a mais.

Chegando lá, ele logo nos atendeu, mas o Cauê estava tímido e não pudemos ver o que era. Então ele nos deu uma segunda chance, me mandou comer um doce e esperar. Quando voltei para a sala, pudemos ver que era um menino, e o médico insistiu para que colocássemos o nome de Marcelo Jr. ou de Neymar! Hahahaha!!!

Faria tudo de novo?

Absolutamente sim! Amei reviver essa aventura com vocês!

Dani, ADOREI sua história!!! Menina, que coragem seguir com os planos da viagem mesmo grávida…afinal, um mochilão sempre tem horas de estrada para encarar e peso na mochila para carregar!

Não é à toa que o Cauê já nasceu um autêntico mochileirinho, encarando numa boa uma viagem pelo interior da Argentina com apenas 08 meses de idade. E essa história você pode ler neste post.

Dizem que uma viagem muda a vida da gente…no caso da Dani e do Marcelo mudou para sempre e eles voltaram com seu “pacotinho”. Ownnnn…AMEI!

E para continuar acompanhando as aventuras da Dani, é só seguir o @maedemochileirinho no instagram!