MOCHILÃO GRÁVIDA PELA AMÉRICA DO SUL

Vira e mexe falo sobre o mochilão que fiz grávida pela América do Sul, mas contar sobre ele demanda um certo tempo, afinal foram 6 meses de viagem. Logo no primeiro mês, engravidei do Cauê, e, mochilar grávida foi definitivamente uma das melhores aventuras da minha vida!

Quer saber como foi? Então senta que lá vem história! Compartilho aqui com vocês a entrevista que a Paula Calil fez comigo e já virou matéria em seu blog Viagem de Família e no portal terra:

 

O que você faria se descobrisse que está grávida no início de um mochilão?

Pois é, a Dani e o Marcelo se programaram desbravar a América do Sul. Escolheram o roteiro, se programaram financeiramente…e eis que no primeiro mês de viagem a Dani se descobriu gravidíssima!

Tomada por um misto de felicidade e frio na barriga decidiu seguir em frente, fez algumas adaptações no roteiro e encarou a aventura com muito cuidado e alto astral…e viveu uma história linda, descobrindo as belezas da América do Sul e da gestação ao mesmo tempo.

Dani, qual o roteiro deste mochilão?

Percorremos 54 cidades, começando por Foz do Iguaçu. Lá em Foz, demos um pulo em Ciudad del Leste, no Paraguai, para fazer umas comprinhas, e seguimos percorrendo a Argentina (onde engravidei), o Chile (onde descobri a gravidez), parte da Bolívia e o Peru (onde descobri o sexo do meu bebê). Foram 06 meses de viagem – de abril a outubro de 2016.

Durante a viagem, que tipo de cuidados você tomava? Alimentação, vitaminas?

A viagem me deixou mais ativa e saudável, com os passeios constantes e com as mais diversas refeições. Como gosto de provar tudo quanto é comida típica, o Cauêzinho estava recebendo um monte de ingredientes bons junto comigo.

Apesar de estar longe do Brasil, eu tive uma boa base médica. A madrinha do meu filho, que é médica, me orientava com relação aos prazos de consultas e exames que eu tinha que fazer.

Assim, nas datas certas eu procurava um obstetra particular, que me prescrevia o que eu tinha que tomar e os exames que eu tinha que fazer. Com isso, não me faltou ferro, ácido fólico, e nem vitaminas durante toda a gestação.

E foi uma gestação tranquila?

Super! No dia seguinte que descobrimos a gravidez, já estávamos num passeio a caminho do vulcão Osorno, numa estrada super sinuosa. Nesse passeio, estávamos de carona com o Marcelo, nosso couchsurfer, e duas meninas que moravam com ele. Uma delas passou mal com as curvas da viagem, e eu lá, grávida, tranquilinha no carro.

Mas como em todas as gestações, os enjoos são normais, e eles se intensificaram quando eu estava com 2 a 3 meses de gravidez. Ainda assim, eles foram amigos comigo e costumavam vir mais à noite… então, quando eu estava mais enjoada, simplesmente ficava mais quietinha na hospedagem e contava com o chamego do maridão pra me trazer algo para comer quando passasse o mal-estar.

Em algum momento, durante a viagem, sentiu que a gravidez “atrapalhou”, ou seja, deixou de fazer alguma coisa que queria por conta da gestação?

Sim…mas não por falta de tentar!

Fui impedida de entrar em águas termais, em Chillán, no Chile, e, em Águas Calientes, no Peru. O calor das águas, unido com as suas propriedades podem causar aborto. Como não queria perder meu bebê, obedeci. E coloquei os pés para matar a vontade, e fazer valer o ingresso pago para entrar.

Outro impedimento aconteceu no Deserto do Atacama, no Chile, quando já estávamos com a documentação e o dinheiro prontos, na frente de uma agente de viagens, prontos para seguir rumo a uma expedição ao Salar do Uyuni, na Bolívia. Ela, que já tinha nos aceitado na trip, nos avisou que nenhuma agência estava querendo aceitar de levar uma grávida, porque existem muitas falhas na estrada e os motoristas não são cuidadosos, eles correm bastante, e o impacto pode ser grande. Essa é uma lacuna do mochilão que pretendemos cobrir quando o Cauê for maiorzinho.

E como foi para a família de vocês acompanhar a barriga crescendo de longe?

Na verdade, a minha barriga demorou a aparecer. E como eles puderam acompanhar o terceiro trimestre da gravidez, puderam acompanhar de perto o crescimento da barriga.

Mas é claro que pela nossa família, eles queriam que eu voltasse imediatamente após descobrir a gravidez. Me achavam uma desajuizada – até verem que mesmo nas nossas aventuras, estávamos cuidando do nosso pequeno com as consultas e exames frequentes. E, como à princípio não tínhamos prazo pra voltar. Nossos pais e duas tias foram passar uma semana em Cusco e região com a gente. O que foi ótimo para matarmos as saudades e curtir uma grande aventura em família!

Conseguiu fazer os exames de pré-natal durante a viagem? Como foi isso?

Sim, fizemos todas as consultas e exames necessários.

Minha primeira consulta com uma obstetra foi em Talca, no Chile, que me passou os suplementos e logo marcou um ultrassom para verificar o tempo de gestação, e a quantidade de embriões. Foi quando ouvimos pela primeira vez o coraçãozinho do Cauê batendo superforte. Como não morrer de amores nessa hora, né?

Em Santiago, capital do Chile, fiz alguns exames de sangue e em Cusco, quando estava com 24 semanas de gestação, fiz uma nova consulta, na qual o médico palpitou que seria uma menina… e um novo ultrassom, que, desta vez, estava a família toda pra assistir e descobrir, de fato, qual era o sexo do bebê. Mas não foi dessa vez, o médico não conseguiu e, na verdade, nem fez muita questão de ver. Ok, seguimos com os palpites.

Depois de termos ido até próximo da fronteira do Peru com o Equador, pegamos um ônibus de 17h até Lima para que pudéssemos voltar para o Brasil no dia seguinte. Então, logo que saímos da rodoviária, ainda cheios de mala e eu já com 29 semanas de gestação, fomos até um consultório para fazer um ultrassom e tentar descobrir o sexo…sim, eu estava inconformada de voltar sem essa novidade. Então, nós pagamos por um ultrassom comum e demos muuuita sorte de encontrar com um médico super gente fina! O cara falou que provavelmente não iríamos conseguir ver o sexo com aquele aparelho, e que o ideal seria que fizéssemos um ultrassom 4D para descobrir. Mas a questão era que já estávamos quase sem grana e não tinha o aparelho para isso naquela clínica. Então o médico, que foi a muito com a nossa cara, colocou as nossas malas no porta-malas do seu carro e fomos de carona com ele até uma clínica que tinha o aparelho certo. Isso, sem pagar nada a mais.

Chegando lá, ele logo nos atendeu, mas o Cauê estava tímido e não pudemos ver o que era. Então ele nos deu uma segunda chance, me mandou comer um doce e esperar. Quando voltei para a sala, pudemos ver que era um menino, e o médico insistiu para que colocássemos o nome de Marcelo Jr. ou de Neymar! Hahahaha!!!

Faria tudo de novo?

Absolutamente sim! Amei reviver essa aventura com vocês!

Dani, ADOREI sua história!!! Menina, que coragem seguir com os planos da viagem mesmo grávida…afinal, um mochilão sempre tem horas de estrada para encarar e peso na mochila para carregar!

Não é à toa que o Cauê já nasceu um autêntico mochileirinho, encarando numa boa uma viagem pelo interior da Argentina com apenas 08 meses de idade. E essa história você pode ler neste post.

Dizem que uma viagem muda a vida da gente…no caso da Dani e do Marcelo mudou para sempre e eles voltaram com seu “pacotinho”. Ownnnn…AMEI!

E para continuar acompanhando as aventuras da Dani, é só seguir o @maedemochileirinho no instagram!

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